Poderia ser apenas um sonho. Mas o mais espantoso é que é mesmo realidade! Aconteceu agora em Londres, espalhou-se por toda a Inglaterra e está a chegar a Espanha. Um grupo de ateus decidiu juntar-se para responder a um anúncio cristão que circulava nos autocarros de Londres afirmando que os não-cristãos iriam “arder no inferno por toda a eternidade”! A forma encontrada foi usar os mesmos autocarros da cidade para ostentarem cartazes contrapondo em letras garrafais: “Provavelmente Deus não existe. Deixa de te preocupar e goza a vida”. Pode parecer estranho mas tenho que dizer que me tornei fã desta campanha.
Em primeiro lugar é bom ver que a origem desta campanha assentou na reacção natural a uma mensagem cristã que mandava os não-crentes para o inferno. Uma mensagem cristã que seria razoável na Idade Média... mas nos dias de hoje é uma vergonha de todo o tamanho! Mais: esta campanha ateísta não deixa de ser inofensiva para o cristianismo: uma vez que estão a responder à letra a uma forma de mau cristianismo, também se trata de uma forma de mau ateísmo. A oposição a um cristianismo a brincar é feita por um ateísmo a brincar. Não se pode levar demasiado a sério.
Não é preciso muita atenção para ver que assenta na crença ingénua de que Deus é incompatível com o gozar a vida. E quem disse que é assim? A culpa divide-se claramente entre o cristianismo e o ateísmo mal formados. Se há pessoas que têm imagens terríveis de Deus, a culpa é da forma como nós os crentes falamos dEle (um falar que vai bem para além das palavras). E também é culpa dos ateus que não sabem bem em que é que não acreditam. Não sei o que é pior: se ignorar a Deus ou dizer mal dEle.
Infelizmente tenho descoberto que, na maior parte das vezes, quando alguém diz “não acredito em Deus”, aquilo que está, no fundo, a querer dizer é “não sei se acredito ou não, mas sei que não gosto dele”. Mais do que crenças alicerçadas num raciocínio cuidadosamente elaborado, a grande maioria dos ateus está apegada a um contacto negativo, traumático, azedo, com as pessoas da Igreja ou com Deus para sustentar a sua posição. Mas, como isso não é um argumento válido, esse sentimento é subtilmente mascarado e escudado atrás da fria isenção da razão científica. Ou simplesmente na recusa em pensar no assunto. Entretanto, as verdadeiras razões (que são mais emoções) ficam escondidas no inconsciente.
Por isso, quando somos confrontados por um ateu, para clarificar o que está em questão o melhor é perguntar-lhe: “em que Deus não acreditas?”. Muitos ficarão atrapalhados, e a sua descrição não corresponderá nem de longe nem de perto ao Deus em que eu acredito. Este é o ateísmo fraco. Mas com outros, poucos, será possível estabelecer um confronto desafiador mas ao mesmo tempo proveitoso, construtivo. É aí que o ateísmo tem uma contribuição imprescindível: obriga-nos a purgar os ídolos que veneramos, ajuda-nos a enfraquecer as crenças superficiais e a consolidar as crenças substanciais.
É por isso que, apesar da sua ingenuidade, esta não deixa de ser uma campanha de marketing com um potencial de efeitos muito benéficos. Começa por ser uma forma de trazer o debate sobre a existência de Deus para a praça pública, para as conversas de café. É um incentivo a que se aprofunde e clarifique o que é verdadeiramente crer. É uma ajuda preciosa ao questionamento do Deus em que acreditamos e daquele(s) em que não acreditamos.
No fim de contas, esta campanha é uma verdadeira bênção dos Céus. Se Deus é um deus que só chateia, que só existe para roubar a liberdade ao homem, que não lhe permite ser feliz... Se é assim, também eu me junto aos ateus! Valha-nos o ateísmo! Ainda bem que um deus assim não existe.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Just hear It
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Como diria o meu amigo Verde

Eu hoje estou cruel, frenético...
Se apanhasse um pedaço de barro na minha frente construia uma bomba (só pelo gosto de a desarmar de seguida)!
Construia legos só para poder usar a imaginação que borbulha dentro de mim.
Dou pulos, tacteio em elipses, em circulos, acho que até já consegui em pirámide... Movimento repetitivamente os meus pés, como que ao som de um groundsound qualquer, mas esta energia não saí, não se esgota, não se esvai.
Penso 10 segundos, interrompe-me a energia, mais 12, mais 8, mais 14.
AHHHHHHHH!
Pronto... já passou.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
terça-feira, 18 de março de 2008
Há cafés amargos fantásticos! Não há?
Não me conheço! Não! Ou então não te conheço!
Às vezes a nossa respiração não bate certo e nessas alturas sinto que sou a pessoa que tu desprezas, a que te faz infeliz, a que aos teus olhos se faz incompreensível.
Não sei se é só uma questão de olhar ou se tens razão para me julgares transfigurado.
Quando te sinto do meu lado todas as coisas fluem, todas as coisas fazem sentido; quero estar do teu lado.
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